| Óis da Ribeira é uma freguesia muito antiga, sendo de tempos muito anteriores à fundação da Nacionalidade, havendo documentos do século XI, como o de uma doação feita por D. Flâmula ao mosteiro de Pedroso, onde se diz que metade de Eixo e Óis eram de D. Tereza Fernandes, mulher do Conde D. Mem Viegas de Sousa.
Esta freguesia teve o seu fulcro bem localizado no povoado das Codeceiras, onde os celtas eram os únicos senhores da agricultura sempre frutuosa de abundância de cereais, embora a sede estivesse fixa em S. António, onde sempre existiu a Matriz de recuados tempos e onde o Santo taumaturgo era muito venerado e festejado constituindo a sua festividade uma das maiores e mais formosas romarias de Portugal.
Marques Gomes, um grande escritor do século XIX, escreveu:
- Santo Adrião de Ois da Ribeira é uma freguesia de 104 fogos, e 420 habitantes. Está situada na margem esquerda do Águeda, junto à estrada real de Águeda a Aveiro. Fica 10 kilómetros para o N. da estação de Oliveira do Bairro, e 7 kilómetros para O. da cabeça do concelho.
Nesta freguesia há 294,15 ares entregues à cultura do arroz. Tem uma escola de intrução primária para o sexo masculino.
Foi vila e concelho da casa de Bragança, e pertencia ao almoxarifado de Eixo. O concelho de Óis compreendia esta freguesia, a de Fermentelos e parte da de Espinhel, prefazendo ao todo 500 fogos. D. Manuel deu-lhe foral em 2 de Junho de 1516.
Consta que fora prior desta freguesia André de Sousa, filho de Álvaro de Sousa, vedor da rainha D. Catarina e donatário régio das terras de Eixo, Requeixo, Paus e Óis da Ribeira, com o título de senhor de Requeixo. Em 1079 parte desta vila de Óis da Ribeira era propriedade o conde D. Mem Viegas de Sousa, por lha haver trazido em dote sua mulher D. Teresa Fernandes; esta parte da vila foi doada em 13 de Setembro de 1289, por D. Leonor Afonso, filha ilegítima de D. Afonso III e viúva do conde D. Gonçalo Garcia de Sousa, à ordem de Malta, que depois a trocou com o conde de Barcelos e sua mulher D. Branca de Sousa, por diversas propriedades que estes possuíam na vila de Monsanto. D. Dinis confirmou esta troca em 24 de Junho de 1324. Diz pinto Leal que esta troca foi para unir mais rendimentos visto a família Sousa já possuir propriedades por estes sítios em 1323, de que fazia parte o canto de Eixo. O conde, por morte, legou-a ao mosteiro de Sto. Tirso.
A outra parte da vila e igreja de Óis parece que era da coroa e à coroa voltou também a que pertencia ao conde de Barcelos, por causas que ignoramos. D. Fernando I fez mercê das duas partes da vila a D. João Afonso Teles de Meneses por carta passada em Coimbra a 22 de Outubro de 1369.
Consta-se também que em Julho de 1494, D. João II doou a Diogo de Sousa, vigésimo Senhor da Casa de Sousa, várias vilas, entre as quais se encontrava Óis, doação essa confirmada, em 1500, por D. Manuel.
Bibliografia consultada:
Marques Gomes – “Districto de Aveiro”, 1877
Victor de Oliveira – “Pateira de Fermentelos: polémicas ribeirinhas”, 1979
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